A humanitas romana como chave de leitura do pensamento político de Hannah Arendt

Alfons C. Salellas Bosch

Resumo


Este artigo procura oferecer uma forma de introdução distinta à teoria política de Hannah Arendt. Em primeiro lugar, mostramos como a reflexão arendtiana pode ser remitida a uma ideia ou a uma experiência – totalitarismo, política, natalidade, mundo, pluralidade – sem pretender estabelecer qualquer redução monística de sua obra. A continuação, desenvolvemos o conceito romano de humanitas, a partir do texto de Arendt sobre Lessing, e a noção grega de amizade política como porta de entrada ao pensamento arendtiano. Finalmente, ressaltamos a influência decisiva de Karl Jaspers e sugerimos que Hannah Arendt aponta para a possibilidade de outra filosofia fora dos parâmetros metafísicos e ontológicos da tradição, um filosofar distinto que leva inscrito o selo da contingência e a marca da humanitas.

Palavras-chave


Arendt, humanitas, amizade, contingência.

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DOI: https://doi.org/10.26694/ca.v2i1.11149

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